quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Paraiso na Terra


Sempre que olhava para a minha frente, via o paraíso, o sitio mais bonito do mundo. Ouvia os sons da natureza, os sons que me fazem sorrir e pensar em coisas que me punham feliz o resto do dia, tinha tudo para ser feliz. Tudo.
Mas hoje, quando olho para a frente vejo o que está à minha frente. Vejo o mundo, vejo como é e o que faz, vejo uns rapazes quais-quer a maltratar uma criança mais nova, porque são cobardes, vejo pessoas a mandar lixo para o chão, vejo o céu tapado de nuvens, um dia cinzento, mais um dia cinzento. Vejo a realidade da vida, vejo cobardia, egoísmo, inveja, vejo todos a quererem ser mais, a quererem ser melhor que os outros, e daí espezinhar, até o teu melhor amigo, se for preciso. Vejo de tudo.
Tenho saudades do Paraíso.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

É bom ser um bebé


A infância. Aquele momento da tua vida em que todos te adoram, em que ninguem culpa de nada, em que aquele sorriso gigante a olhar para ti, é verdadeiro. Não há preconceitos sobre o que visto ou sobre o que gosto ou deixo de gostar, nunca te deixam cansar, por isso andas sempre ao colo ou num carrinho, quando choras, vão fazer-te a vontade, mas mais que isso, todos te amas, todos te tiram fotos e todos te acham "a coisa mais fofinha do mundo", és o orgulho dos teus pais, tens uns avós babados e tudo o que queres, todos dizem que vais ter um grande futuro e que vais conseguir ser grande na vida, porque tão novinho já falas e já tens a paixão de aprender. Um bebé é uma nova coisa, que os pais não param um segundo sem olhar e sem se babarem e elogiarem.
Todos nós tivemos uma infância, mas nenhum de nós se lembra. Porque agora, ninguém pára um segundo para se orgulhar de ti e para te elogiar. Agora, és o filho deles. Somente o filho deles.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pai

Foste-te embora à 3 anos. Dia 2 de Setembro de 2008.
Nesse dia, quando acordei não te vi na cama. Eu era sempre o primeiro a acordar. Mas naquele dia não estavas lá. Levantei-me, e vi um papel, a dizer que me amavas muito, que eu era muito importante para ti. Fiquei quieto a olhar para o papel, vesti-me, fui para casa. Depois, à noite o telemóvel tocou. Era a tua voz. Eras tu.
Em 2009 voltas-te, vieste de surpresa, quando te vi, chorei, fiz força para não, mas o amor por ti é sempre maior. Voltaste a ir embora, e voltas-te no verão de 2010, e como sempre, houve um adeus. E como sempre voltaste à umas semanas, aí, quando te foste embora, não sei o que me deu, mas senti que tinha morrido, das vezes que te foste embora, nunca me tinha sentido assim. Fui para a escola, e aí, uma vez mais desatei a chorar. Quando fui para casa chorei no meu quarto, por saudades tuas, e enquanto isso acontecia, reparei que estava a chorar sozinho. Não estava habituado a estar sozinho, tu estavas sempre ao pé de mim, e se estivesses comigo, já me estavas a abraçar e a ajudar-me, para eu me sentir melhor.
Mas não estavas lá. Não estavas lá.